O que devemos considerar antes de investir

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O que devemos considerar antes de investir
Por André Massaro
 
Um dos temas mais relevantes do universo das finanças e da economia nos últimos anos é a “economia comportamental” (ou “finanças comportamentais”), uma jovem área do conhecimento que busca entender as nossas decisões financeiras à luz da psicologia.
 
O modelo econômico clássico diz que as pessoas são racionais e sempre tomam as melhores decisões para si: aquelas que maximizam o retorno e a “utilidade” dos recursos. Mas os estudantes da economia comportamental (tema que chegou até mesmo a ganhar um Prêmio Nobel de Economia, em 2002) vêm demonstrando, cada vez mais, que as decisões financeiras das pessoas são, em grande parte, irracionais e carregadas de conteúdos emocionais, vieses cognitivos e falhas lógicas. Por exemplo, muitas pessoas investem tempo precioso (às vezes muito tempo) lendo avaliações de consumidores na internet, pesquisando em lojas e conversando com conhecidos antes de comprar um smartphone de mil reais, preocupadas em fazer um bom negócio e obter o melhor custo/benefício. Porém, essas mesmas pessoas não hesitam em colocar todo o patrimônio de uma vida inteira no primeiro investimento “furado” oferecido pelo gerente do banco, sem se questionar se aquele investimento é adequado ao seu perfil, aos seus objetivos e se, enfim, ele é mais vantajoso para o investidor ou para o banco.
 
A verdade é que a maioria das pessoas não gosta muito de pensar nos próprios investimentos. Investir o dinheiro pode não ser uma coisa tão agradável e divertida quanto gastá-lo! Mas o processo de escolha e decisão de investimentos pode ser bem mais rápido e menos intimidador se estabelecermos, previamente, alguns parâmetros.
 
Perfil de risco
O primeiro parâmetro e, possivelmente, o mais importante, é o perfil de risco do investidor. Nos investimentos, assim como na vida como um todo, é fundamental “conhecer a si mesmo”. Os perfis de risco básicos são o “conservador”, que prioriza a segurança e a liquidez; o “agressivo”, que prioriza o retorno e, por conta disso, está disposto a se arriscar mais; e o “moderado”, que procura ficar “no meio do caminho”, se expondo a alguns riscos, porém de forma mais limitada.
 
O que define o perfil de risco não é o quanto a pessoa quer ganhar, mas sim quanto ela tolera perder. Algumas pessoas perdem o sono só de pensar em perder algum dinheiro (esses devem buscar investimentos mais conservadores), enquanto outros lidam bem com perdas e mantêm uma perspectiva de obter um ganho maior no longo prazo (esses se enquadram no perfil “agressivo”).
 
Um investidor de perfil conservador, que se “aventura” em investimentos agressivos, pode comprometer até mesmo a sua qualidade de vida. Em breve, os perfis de investidor, e as formas de defini-los, serão temas abordados detalhadamente em outra edição da Revista Bene-Dito Especial.
 
Necessidade de liquidez
O segundo parâmetro mais importante é “quando o investidor vai precisar do dinheiro”. Diferentes investimentos têm diferentes níveis de liquidez. Por exemplo, previdência e títulos de prazo fixo (como alguns CDBs, LCIs e LCAs) só ficam disponíveis ao investidor em uma  determinada data no futuro. Imóveis têm liquidez notoriamente baixa (especialmente quando a economia vai mal). Ações de grandes empresas costumam apresentar boa liquidez, mas não são indicadas para investimentos de curto prazo por conta das oscilações do mercado acionário.
 
Já no universo da renda fixa, em alguns investimentos populares (como CDBs, LCIs e LCAs de liquidez diária, títulos públicos federais ou mesmo a velha e boa Caderneta de Poupança) a liquidez é bastante alta, mas é preciso atenção, pois alguns desses investimentos podem ser penalizados com alíquotas de impostos mais altas, se resgatados em prazo muito curto.
 
O fato é que, para cada prazo, existe um ou mais investimentos adequados. Por isso, o investidor deve ter uma visão muito clara de quando precisará do dinheiro. 
 
Os custos do investimento 
Um último parâmetro, mas igualmente importante, é o custo dos investimentos. Uma coisa que precisa ser observada é que um investidor não tem nenhum controle sobre o retorno que um investimento dará. Aliás, ninguém tem esse controle e não é à toa que as instituições financeiras, em seus materiais de divulgação de investimentos, sempre trazem os dizeres: “rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura”. Obviamente, existem instrumentos financeiros “menos imprevisíveis” que outros, mas não se pode garantir uma determinada rentabilidade.
 
Por outro lado, o investidor tem total controle sobre os custos dos investimentos. Quando o investidor escolhe algum instrumento financeiro, ele sempre tem como saber quais são os custos da instituição financeira (como taxas de administração, taxas de performance,  corretagem etc.) e os impostos devidos. Com relação aos impostos, há pouco a fazer, mas os custos das instituições financeiras costumam variar bastante de uma para outra e, em alguns casos, são negociáveis.
 
Muitos investidores costumam subestimar os efeitos desses custos em seus investimentos, mas, especialmente se for um horizonte de longo prazo, eles podem representar um valor significativo; às vezes, a ponto de diminuir drasticamente ou mesmo anular a rentabilidade obtida.
 
Existem outros parâmetros que podem ser avaliados antes de tomar uma decisão de investimento. Na verdade, a lista de parâmetros que podem ser utilizados é potencialmente infinita. Porém, tendo consciência dos três fatores apresentados neste artigo (perfil de risco, prazo e custos), o investidor já diminui significativamente as chances de tomar uma decisão da qual possa se arrepender.