Casa Própria - qual o melhor caminho para essa conquista?

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Casa Própria - qual o melhor caminho para essa conquista?

Por Reinaldo Domingos

Um dos mais importantes sonhos da família brasileira é, certamente, a conquista da casa própria. Mas uma dúvida fica no ar: esta aquisição pode ser entendida como um investimento ou como um bem de consumo?

É muito comum pessoas entenderem que se trata de um investimento, porém, como não traz retorno financeiro, o imóvel de moradia deve ser tratado como um bem de consumo, uma vez que ele gera gastos para ser mantido em boas condições para o conforto familiar. Além de ser necessária, em alguns casos, a realização de consertos ou pequenas reformas, ainda existem todas as taxas obrigatórias a serem pagas, como condomínio, IPTU, quota de incêndio, entre várias outras.

Sendo assim, a aquisição de um imóvel para moradia deve ser muito bem planejada, sobretudo por ter ocorrido uma expressiva alta nos valores imobiliários nos últimos anos, que vão muito além da inflação. E, nesse ponto, é imprescindível uma aprofundada reflexão. É comum vermos pessoas que já possuíam um imóvel para moradia estarem com a sensação de considerável ganho financeiro, uma vez que o valor da casa própria triplicou nos últimos tempos. Olhando por esse ângulo, podemos chegar à conclusão precipitada de que o proprietário, nesse contexto, teve um ganho financeiro por conta da valorização imobiliária, porém, recomendo cautela nessa análise. Se esse proprietário não tiver outro imóvel e, se a venda do seu apartamento significar a necessidade de compra de outro espaço, fica claro que o novo imóvel a ser adquirido também estará com o percentual de valorização.

Para quem ainda não possui casa própria ou está insatisfeito com a atual, vale a pena pensar em uma mudança para um local melhor, e isso deve ser prioritário para a família. Entretanto, esse processo deve vir sempre acompanhado de um bom planejamento. A falta dessa programação faz com que, muitas vezes, esse sonho se torne um verdadeiro pesadelo.

O primeiro ponto a ser definido, então, é quanto poderá ser pago por mês, sem que o dinheiro despendido faça falta no orçamento coletivo. Para quem perceber que financiar a casa própria é a melhor alternativa, é fundamental saber que, com essa escolha, estará contraindo uma dívida de valor, que deverá ser honrada mensalmente. Também é necessário ter em mente que, quando se faz um financiamento, há juros envolvidos. Portanto, devem ser priorizadas as linhas de financiamento em que as taxas de juros sejam menores, caso contrário, o valor total a ser pago poderá até triplicar.

Para quem paga aluguel, o financiamento pode ser uma ótima alternativa, pois a pessoa deixa de pagar um valor sem retorno futuro para pagar a prestação de algo que será seu. No entanto, se não há o pagamento de aluguel, uma ótima opção é guardar, por um período determinado de tempo, o valor da prestação do financiamento em qualquer tipo de investimento conservador, com o objetivo de adquirir a casa própria à vista. É preciso entender que o dinheiro aplicado rende juros, enquanto que, em um financiamento, é necessário pagar juros.

Por outro lado, para a maioria das pessoas, a necessidade de assumir um compromisso para que se possa adquirir uma casa própria é imprescindível. Mas um grande problema enfrentado são as dívidas contraídas nas compras de produtos e serviços que, muitas vezes, não agregam valor e acabam desequilibrando o orçamento financeiro mensal, fazendo com que se perca o foco no bem de valor real: a casa própria.

Além disso, é importante registrar que não basta apenas guardar o valor do financiamento da casa ou do apartamento; é preciso somar a esse montante despesas intrínsecas a essa aquisição e outras que possam aparecer, como condomínio, estacionamento, TV a cabo e outras instalações, água e luz, entre outros.

Também é fundamental verificar e estudar o entorno do local do imóvel adquirido, de modo a avaliar se o custo de vida vai mudar e se haverá reflexos diretos no orçamento financeiro. Como exemplo, podemos citar o aumento de despesas com padaria, mercado, gasolina e IPTU.

Ainda sobre o local, uma casa perto do trabalho é interessante, mas não fundamental. Atualmente, as pessoas mudam constantemente de emprego, assim, você nunca saberá onde trabalhará no futuro. O ideal é comprar uma casa em um local de fácil acesso. Verifique facilidades de transporte, como ônibus, metrô e outros meios.

Outro aspecto a ser avaliado é o risco: será que o local não pode ser alvo de assaltos ou enchentes constantes? Avalie muito bem a região, a umidade inerente a ela, a existência ou não de maresia, evitando, assim, prejuízos com móveis e eletrodomésticos.

Não pense que as preocupações acabaram. É sempre importante lembrar que uma casa também cria a necessidade de reformas, por isso, a situação em que a casa se encontra é fundamental. Uma casa em estado ruim de conservação, com toda a certeza, representará custos. O ideal é optar por uma casa nova, mas, caso não seja possível, examine cuidadosamente as instalações antes de fechar o negócio.

De fato, mudar pode representar uma melhoria de vida. Entretanto, para que isso realmente aconteça, é preciso haver muitos
cuidados antes do fechamento da compra do imóvel, evitando surpresas desagradáveis, transtornos inesperados e, principalmente, reflexos negativos na vida financeira.